Deitada na cama; um sono leve. Eu era capaz de sentir o aroma da noite de inverno silenciosa. Os densos cobertores impediam o frio de penetrar em minha delicada pele pálida, embora o rosto mergulhado no travesseiro fofo encontrava-se desprotegido. Parecia não haver outro sinal de vida no cômodo (os seres microscópicos não faziam diferença alguma quando não causavam doenças). Aquela solidão que me assombrava a cada pôr-do-sol. A ausência dele provocava minha intensa curiosidade sobre seus atos. Indiferente o fato de eu ainda possuir o sangue quente e saboroso o qual o alimentava.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
Sexo VS. Amor
"Eu costumava ser dependente de sexo. Quase todos os dias, com em média quinze variações de homem por mês (repetia os mesmos no mês seguinte). Muito, eu sei. Entretanto, eu não ligava, contanto que pudesse fazer o que eu gostava. E eu era amiga dos meus caras. Eles gostavam daqueles momentos tanto quanto eu. As conversas do pós ou da manhã seguinte também eram muito agradáveis.
Eu tinha o controle de tudo. Ou pelo menos era o que achava. Ainda lembro aquela noite de sexta-feira; eu me divertia dançando no meu clube favorito como de costume. Um cara, psiquiatra (pesquisador das mentes mais extremas) veio até mim. Disse que eu deveria parar de me enganar, pois com todo aquele sexo, eu me fechava para o amor.
De alguma forma aquelas palavras prenderam-se na minha cabeça, vinte e quatro horas por dia. Nem em meus sonhos mais inocentes elas desapareciam. Continuou dessa maneira até eu aceitar a sugestão do médico: seis meses inteiros sem nenhum tipo de sexo.
Eu risquei o calendário até o último dia, sem perceber as mudanças ocorridas. Não bebia mais tanto, comecei a ler, escrever, ocupar meu tempo com atividades culturais. Tudo para não ficar entediada. Volta e meia eu ainda lembrava-me de alguns encontros com um rapaz em particular. Aquele o qual eu costumava esquecer, e sempre precisava da minha melhor amiga para saber se eu havia ficado com ele ou não.
Era estranho. Ficar sozinha abriu meus olhos para o meu maior bloqueio. E eu percebi o quanto gostava de sair com ele, conversar, estar junto, e claro que todas as outras coisinhas também. Então após o último dia de seca fui falar com ele. Jason havia acabado de terminar com a namorada. Porém não estava triste. Não gostava dela, no final das contas. Gostava mesmo era de mim. Mesmo eu tendo sido a pior garota da vida dele. E só o que consegui falar naquele momento foram aquelas três palavras nunca ouvidas da minha boca antes.
Agora eu sei como é amar alguém incondicionalmente. Essa história só voltou a minha mente, porque há pouco tempo eu encontrei uma garota agindo da mesma forma que eu agia. Fiquei com pena. Enquanto ela agarrava um qualquer, pelo puro prazer do sexo, eu tinha mais uma experiência linda envolvendo amor; dizia sim a um pedido de casamento."
Eu tinha o controle de tudo. Ou pelo menos era o que achava. Ainda lembro aquela noite de sexta-feira; eu me divertia dançando no meu clube favorito como de costume. Um cara, psiquiatra (pesquisador das mentes mais extremas) veio até mim. Disse que eu deveria parar de me enganar, pois com todo aquele sexo, eu me fechava para o amor.
De alguma forma aquelas palavras prenderam-se na minha cabeça, vinte e quatro horas por dia. Nem em meus sonhos mais inocentes elas desapareciam. Continuou dessa maneira até eu aceitar a sugestão do médico: seis meses inteiros sem nenhum tipo de sexo.
Eu risquei o calendário até o último dia, sem perceber as mudanças ocorridas. Não bebia mais tanto, comecei a ler, escrever, ocupar meu tempo com atividades culturais. Tudo para não ficar entediada. Volta e meia eu ainda lembrava-me de alguns encontros com um rapaz em particular. Aquele o qual eu costumava esquecer, e sempre precisava da minha melhor amiga para saber se eu havia ficado com ele ou não.
Era estranho. Ficar sozinha abriu meus olhos para o meu maior bloqueio. E eu percebi o quanto gostava de sair com ele, conversar, estar junto, e claro que todas as outras coisinhas também. Então após o último dia de seca fui falar com ele. Jason havia acabado de terminar com a namorada. Porém não estava triste. Não gostava dela, no final das contas. Gostava mesmo era de mim. Mesmo eu tendo sido a pior garota da vida dele. E só o que consegui falar naquele momento foram aquelas três palavras nunca ouvidas da minha boca antes.
Agora eu sei como é amar alguém incondicionalmente. Essa história só voltou a minha mente, porque há pouco tempo eu encontrei uma garota agindo da mesma forma que eu agia. Fiquei com pena. Enquanto ela agarrava um qualquer, pelo puro prazer do sexo, eu tinha mais uma experiência linda envolvendo amor; dizia sim a um pedido de casamento."
quarta-feira, 25 de março de 2009
03. Antônimo.
É o príncipe encantado de todos os meus contos de fadas. Infelizmente não vive na mesma realidade da minha, sendo assim, nos resta ser apenas amigos. E agradeço por esse fato; por ter alguém tão bom e ao mesmo tempo tão mau em minha vida. Uma droga viciante correndo por minhas veias; pregada em meu coração. Seduz-me, fazendo minha alma implorar por mais. Se antes a inocência tivesse prevalecido no meu espírito, agora toma lugar a corrupção; impossível voltar atrás.
Divido com ele todos os altos e baixos. Confiança; amizade. Ninguém imagina o garoto mergulhado em pecados sendo tão virtuoso. A feiúra interna aos olhos dos outros, é linda aos meus. Mentes fechadas não entendem porque sou tão aberta a ele; e somente ele. Meus lábios secos não têm sede da água correndo por sua boca, não posso dizer o contrário. Um desejo (in)controlável. Um misto de inveja e admiração pelas pessoas que podem tê-lo.
Enquanto ele está acompanhado de amores, eu continuo aqui, sozinha com o meu vazio; ódio invadindo meu corpo. O fato péssimo é que nada pode ser como a gente quer.
Divido com ele todos os altos e baixos. Confiança; amizade. Ninguém imagina o garoto mergulhado em pecados sendo tão virtuoso. A feiúra interna aos olhos dos outros, é linda aos meus. Mentes fechadas não entendem porque sou tão aberta a ele; e somente ele. Meus lábios secos não têm sede da água correndo por sua boca, não posso dizer o contrário. Um desejo (in)controlável. Um misto de inveja e admiração pelas pessoas que podem tê-lo.
Enquanto ele está acompanhado de amores, eu continuo aqui, sozinha com o meu vazio; ódio invadindo meu corpo. O fato péssimo é que nada pode ser como a gente quer.
sexta-feira, 13 de março de 2009
02. Roma
Mais uma vez me pego pensando nele, na eterna busca por algo acima de rotinas cansativas e entediantes. Eu enxergo seus traços marcantes; sinto perfumes e sabores. Não há inocência entre você e mim. Não há inocência em nem dez por cento da minha alma. O toque na pele livre de moralidades causa-me arrepios. Os pulmões se sobrecarregam de dióxido de carbono, por causa do pouco ar inspirado. Minhas pálpebras pesam; imploram para aproveitar o máximo do momento.
Eu e você estamos próximos da inexistência. Perfeição.
Olhos nos olhos, lábios nos lábios. Finge que vai, mas não volta. Vai e volta; vai e volta. Se for, volte. Apenas não me abandone quando tudo acabar. Nunca me deixe sozinha na escuridão dessa madrugada sem brilho, coberta de nuvens negras e assustadoras.
Porque sinceramente, acaba. E a ilusão criada fazendo-me acreditar na duração infinita, reduz-se a apenas meros e (in)significantes minutos. Agora, vejo-me só na imensidão da cama de casal, encarando o teto sem encantos, num auto-abraço vazio. Eu te amo mais do que qualquer outra coisa em minha vida...
... Pena que esse amor sempre termina no fundo de uma gaveta.
Eu e você estamos próximos da inexistência. Perfeição.
Olhos nos olhos, lábios nos lábios. Finge que vai, mas não volta. Vai e volta; vai e volta. Se for, volte. Apenas não me abandone quando tudo acabar. Nunca me deixe sozinha na escuridão dessa madrugada sem brilho, coberta de nuvens negras e assustadoras.
Porque sinceramente, acaba. E a ilusão criada fazendo-me acreditar na duração infinita, reduz-se a apenas meros e (in)significantes minutos. Agora, vejo-me só na imensidão da cama de casal, encarando o teto sem encantos, num auto-abraço vazio. Eu te amo mais do que qualquer outra coisa em minha vida...
... Pena que esse amor sempre termina no fundo de uma gaveta.
domingo, 8 de março de 2009
01. Lágrimas de Sangue
Idiota quem disse que dores físicas sobressaem às psicológicas. Por isso há tantas pessoas causando ferimentos nelas mesmas. Uma soma da diferença resultando um alívio; nulo. Eu continuava vendo todo aquele líquido vermelho escorrendo pelas minhas mãos; pingando na bancada de vidro. Tanta sujeira pra nada; o vazio permanece. Ninguém entende.
Quanta perda de tempo, e no final serviu pra nada. Mais minutos para limpar todo aquele sangue, lavar os panos, esconder os cortes. Talvez fosse mais fácil apenas ficar ali, esperando que alguém visse. Assim os outros fariam todo o trabalho. Porém, não é todo mundo que aparece na cozinha escura às três horas da madrugada.
Um suspiro. Encarei a luz da lua infiltrando-se pela janela transparente. Os moradores daquela casa já sabiam que eu não era feliz ali; ou em qualquer outro lugar. Entretanto era claro o meu desejo de fugir daqueles julgadores das minhas escolhas; continuam negando a sanidade da garota de apenas dezesseis anos que sou. Uma criança não provida das reais visões do mundo, eles têm razão. Contudo, nunca saberão das reais visões dos pensamentos pertencentes a mim.
Coloquei a ponta do dedo na boca, sentindo o gosto de ferro tocar minha língua. Eu tinha uma decisão para ser tomada. Os segundos não podiam mais ser desperdiçados. Eu não queria perder aquela essência chamada vida. Gostava do oxigênio invadindo meus pulmões, formando o ciclo de transformação. Pega o bom, manda o ruim para fora. Se ainda o mundo fosse tão simples como a respiração.
Por fim a última nota, a mais alta e longa, finalizando a musica inaudível entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Eu era capaz de sentir aquela emoção que os artistas morriam para transmitir. Ali, comecei a dar valor ao trabalho o qual antes me parecia tão superficial e ridículo. Porque eu não queria deixar os sentimentos musicais ultrapassarem o pericárdio para chegar ao meu coração ferido, antes. Não mais fazia diferença.
- Mãe! – ouvi minha própria voz ecoar pela cozinha. Nem parecia eu; pedir ajuda para aquela que um dia me abandonara.
Apenas um ato pra mostrar que no momento eu precisava dela. Rendimento. Joguei a bandeira branca em cima da poça de sangue, e então meus olhos se fecharam pra vida.
Quanta perda de tempo, e no final serviu pra nada. Mais minutos para limpar todo aquele sangue, lavar os panos, esconder os cortes. Talvez fosse mais fácil apenas ficar ali, esperando que alguém visse. Assim os outros fariam todo o trabalho. Porém, não é todo mundo que aparece na cozinha escura às três horas da madrugada.
Um suspiro. Encarei a luz da lua infiltrando-se pela janela transparente. Os moradores daquela casa já sabiam que eu não era feliz ali; ou em qualquer outro lugar. Entretanto era claro o meu desejo de fugir daqueles julgadores das minhas escolhas; continuam negando a sanidade da garota de apenas dezesseis anos que sou. Uma criança não provida das reais visões do mundo, eles têm razão. Contudo, nunca saberão das reais visões dos pensamentos pertencentes a mim.
Coloquei a ponta do dedo na boca, sentindo o gosto de ferro tocar minha língua. Eu tinha uma decisão para ser tomada. Os segundos não podiam mais ser desperdiçados. Eu não queria perder aquela essência chamada vida. Gostava do oxigênio invadindo meus pulmões, formando o ciclo de transformação. Pega o bom, manda o ruim para fora. Se ainda o mundo fosse tão simples como a respiração.
Por fim a última nota, a mais alta e longa, finalizando a musica inaudível entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Eu era capaz de sentir aquela emoção que os artistas morriam para transmitir. Ali, comecei a dar valor ao trabalho o qual antes me parecia tão superficial e ridículo. Porque eu não queria deixar os sentimentos musicais ultrapassarem o pericárdio para chegar ao meu coração ferido, antes. Não mais fazia diferença.
- Mãe! – ouvi minha própria voz ecoar pela cozinha. Nem parecia eu; pedir ajuda para aquela que um dia me abandonara.
Apenas um ato pra mostrar que no momento eu precisava dela. Rendimento. Joguei a bandeira branca em cima da poça de sangue, e então meus olhos se fecharam pra vida.
Assinar:
Postagens (Atom)